Acho que a cultura nerd entrou na minha vida quando eu tinha 5 anos, quando ganhei meu Master System lindão 3. Essa é a minha primeira lembrança clara. Eu pirava em ter aquele video game. Era incrível ser menina, ter aquilo em casa e meu primo ir até lá para jogar. Batia um orgulinho de "ser merecedora daquele presente", sabe? Naquela época eu não entendia, mas... se fosse para ser normal uma menina ter video-game, eu teria aquela sensação? Não.
Um outro primo que tinha um Gameboy. Sou grata por todas as vezes que ele me emprestou. Um outro primo, depois de um tempo, ganhou um Playstation. Ele quase todo final de semana levava para minha casa e passávamos a tarde inteira jogando Driver. (sdds Driver! kkk) Os anos se passaram, e eu simplesmente amava conversar sobre jogos, filmes, HQs e etc. As vezes sem saber quase nada do assunto, mas eu tinha o prazer de ouvir os colegas de escola falar sobre isso. Só depois dos meus 10 anos que comecei a ter mais tempo na internet, então, aqueles assuntos não ficavam só limitado no que eles me falavam... eu tinha um mundo para conhecer. E foi aí que tudo aquilo me fazia ficar mais atraida.
Sou feliz que fisicamente, sou rodeada de pessoas que sabem que jogos são simplesmente jogos, entretenimento independente de sexo. Pessoas que sabem que HQs são histórias e são em quadrinho, novamente, sem limitações. Tenho amigOs que conversa comigo por horas e horas sobre HQs, séries, jogos, Doctor Who, filmes de ficção,... Tenho amigAs que falam com toda naturalidade sobre novidades e vicios desse mundinho. Sou feliz...
Mas sabe o que me entristeci de verdade? Chegar na internet, um local tão cheio de conhecimento e me deparar com pessoas com pensamento tão tão tão... feio... fechado... preconceituoso... uma verdadeira caixinha fechada. Ler tanto preconceito em foruns de jogos, ter que ler coisas absurdas em partidas online, abrir o Facebook e dar de cara com alguma imagem de um esteriótipo de garotas gamers, ouvir alguma piada totalmente sem graça...
Garotas podem ser tão boas ou melhores em jogos do que rapazes. Ela não precisa ser um perfil fake ou obrigatoriamente pedir ajuda para o irmão/primo/namorado. Meninas curtem filmes de ficção, elas leem sobre isso, elas teorizam. Elas podem ter no mesmo armário uma coleção de maquiagem e uma coleção de HQs. Elas não necessariamente jogam de calcinha e sutiã (!!!), como parece que muitos acham que é assim, pelo menos é o que imagem pelo Facebook mostra. Elas não são gamers de jogos de celular (o que não deixa de ser jogo, né honey...)
A questão... a cultura nerd ainda é um grande clube do Bolinha! Os rapazes sempre falam com mais autoridade sobre o assunto. Pensa aí rápido. Quantas equipes de portais grandes de cultura nerd tem garotas no meio que tenha grande importância? Poucas, né? Mas não gostaria ver garotas entrando nesses "clubinhos" como se fosse, tipo, uma cota ou por ser um apelativo.
É lindo ver garotas se destacando pelo o que tem para mostrar para todos. Meninas que ganham destaque por trazer assuntos, explicando-os, sabendo o que estão falando, tanto para meninos como para meninas. A Malena, youtuber, apresentou o evento carioca do Star Wars Force Friday, um evento que aconteceu em vários países. Lindo!!!
Quero muito que esse aumento, mesmo que devagarzinho, continue. Que meninas não fiquem com vergonha de esconder que gostam de jogar, falar de HQs e etc. Que os meninos aprendam, que sim, ela gostam, elas sabem. E o principal, isso é tão normal!
O que foi o #AntiMachismoNerd? A Anna explicou bonitinho aqui e a Gi também, além de contarem suas histórias. Mais sobre o assunto? Ouça esse podcast... e esse post, importante!

